Adeus, Canindé…

Canindé

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O clube crescia a passos largos. Em setembro de 1949 o São Paulo FC inaugura uma nova sede administrativa, na Av. Ipiranga, 1267. Em verdade, também uma sede de gala, ocupando três andares ao todo, com salão de jogos e restaurante fino.

Ainda assim, o São Paulo encerrava o ano com o cinto apertado em suas finanças. A única fonte de receita considerável era a bilheteria. Mas craques que tanto animavam o público custavam caro. Então Luís Campos Aranha apresentou a Cícero Pompeu de Toledo, presidente, a solução.

Laudo Natel era um bem sucedido diretor de banco. Desde 1946 era sócio do SPFC, mas somente em 1952 passou a exercer funções diretivas. Após estudar as finanças do clube, apresentou sua proposta ao Dr Cícero: um grande estádio, um estádio próprio! Ora, melhor solução não havia, afinal os times viviam de bilheteria.

Contudo, Natel foi taxativo: era preciso se desfazer do único grande bem patrimonial do clube até então, o Canindé. O mesmo Canindé que só havia sido completamente pago em janeiro de 1951. Foi então que o Tricolor Paulista ousou. Ousou de maneira jamais vista. Ousadia que não se repetiu, até hoje, no Brasil.

O São Paulo FC construiria o maior estádio particular do mundo!

– Já que é um sonho, que seja grande- diziam seus idealizadores.

Mãos à obra, o Tricolor passou a procurar terrenos que poderiam abrigar o titã. A procura era urgente, pois a Prefeitura planejava a retificação do Rio Tietê e a construção das vias marginais, que consumiriam boa parte do terreno do Canindé.

Sabe-se que, antes mesmo de Natel tomar a frente desta empreitada, em 1952, o São Paulo tentou barganhar com o município uma troca. O Canindé pelo Ibirapuera. O Canindé era pequeno para se construir um grande estádio. O Tricolor cogitou erguê-lo em área então deserta da capital, onde hoje, em parte, se encontra o clube Círculo Militar de São Paulo. Com as desapropriações decorrentes da retificação e construção da Marginal Tietê, porém, a Ilha da Madeira perderia seu potencial financeiro, e a idéia foi abandonada. Entretanto, o destino do Canindé parecia mesmo definido. Em 1952, o São Paulo lançava a pedra fundamental de seu estádio, no Morumbi. A solução para capitalizar um montante para o início da construção foi hipotecar a propriedade.

Somente em 27/05/1955, o SPFC negocia o centro esportivo. A família Saddi adquiriu o terreno por Cr$ 11.922.795,50. Desta quantia, Cr$ 4.606,180,30 foi paga diretamente a bancos credores por sua hipoteca. O que restou cobriu outras dívidas, com pequena parte investida no estádio em construção.

Foi só no final de 1956 que o São Paulo deixou de ser o Tricolor do Canindé e passou a ser, exclusivamente, o Tricolor do Morumbi, pois Wadih Saddi, conselheiro do clube, e depois a Portuguesa, que adquiriu o terreno ainda naquele ano, permitiram que o SPFC lá continuasse.

Fonte:

http://www.saopaulofc.net/spfcpedia/a-historia-do-spfc/caninde/