CHAPECOENSE: o time que uniu o Brasil

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Grandes clubes ganham títulos e disputam decisões com tanta frequência que a vibração pela vitória ou lamentação pela derrota, embora genuínas, tendem a ser efêmeras, afinal, outras decisões logo os esperam.

São as conquistas dos pequenos que realmente nos fascinam. Talvez pelo entendimento de nossa frágil natureza é o drama dos mais fracos que nos emociona verdadeiramente.

Os pequenos talvez nos ajudem a lembrar que também fomos pequenos e que, mesmo crescidos, de certa forma, ainda somos pequenos.

É esse sentimento que a Chapecoense despertava. Pequena, porém valente. Diminuta, mas ruidosa.

Uma final de Copa Sul-Americana talvez fosse só mais uma final para qualquer um dos “grandes” do nosso futebol.

Um eventual título, dependendo das circunstâncias, poderia ser visto pela imprensa e mesmo pelos torcedores dessas grandes equipes como uma conquista secundária.

Mas para a Chapecoense era a chance de fazer história. Era “a conquista”. Era a esperança de uma cidade, de um pequeno grupo de leais obstinados que acreditaram no time quando ninguém mais acreditaria.

Era um sonho. E é disso que o futebol sempre foi feito. De sonhos. Sonhos de meninos que cresceram mas que quando vestem a camisa de sua equipe favorita voltam a ser meninos. E voltam a sonhar. Essa é a mágica do futebol.
Esse era o encanto da Chapecoense. Uma equipe que fazia outros sonharem. Um espelho para os outros clubes pequenos. Mas na madrugada desta fatídica terça-feira, esse espelho se quebrou. Quebrou-se o encanto. O voo da glória foi o voo da angústia, da dor. Ninguém sorriu. Ninguém cantou. Ninguém comemorou.

Um trauma sem precedentes no futebol nacional. Um luto capaz de unir temporariamente um país dividido. De ofuscar todas as cores e escudos.

Muitos meninos tiveram que aprender um pouco da dor de um mundo adulto. E muitos adultos, por entenderem que a dor dos outros também é a sua, choraram como meninos.

Não será fácil juntar os cacos e as lágrimas. Sabemos que o futebol de uma forma ou outra continuará. O trágico e o inesperado, contudo, estarão sempre a espreita. Um motivo a mais para que na arquibancada, no campo ou em qualquer outra situação de nossas vidas, joguemos cada partida com a garra Chapecoense de quem disputa uma final.

Valeu, Chape! Jamais esqueceremos de seu exemplo e valentia!

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Texto publicado também em Blog Na Mira – Futebol & Rock’n’Roll

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