DESCULPEM O TRANSTORNO, MAS EU PRECISO FALAR DO SÃO PAULO

Tricolor

ImagemPostPriscila

 

Olá Querida Nação Tricolor,

 

A primeira vez que pisei no Morumbi foi em 1986. E embora não tenha lembranças, consegui, ainda que pequenina captar a dimensão daquilo tudo.  Alguns Natais e aniversários vieram. Enquanto as outras meninas pediam o Corvette pink da Barbie, eu ganhava camisas patrocinadas pela IBF ou qualquer outra coisa que remetesse a um trio de cores.

 

Desde então, a concorrência entre os programas do Chaves e o Globo Esporte se tornou acirrada. Enquanto se ouviam gritinhos pelo Jordan Knight do New Kids On The Block, eu suspirava pelo Raí, lia a revista Capricho, mas também a Placar.

 

A primeira metade da década de 90 foi emblemática na vida de qualquer são-paulino que teve o privilégio em vivê-la. Foi aí que aprendi que a vida é feita de ciclos.

 

Os anos 2000 nos reservaram decepções, mas claro, também boas surpresas. Saboreamos novamente o nosso prato principal que é Libertadores com Mundial, sem contar os consecutivos campeonatos brasileiros. A partir de então, o futebol ganhou uma proporção em minha vida, sem nenhuma concorrência à altura.

 

Ser são-paulino não se explica, se sente. Não é simplesmente ter um time. É ter uma opção de vida baseada na serenidade do branco, no racional que vem do preto e no amor em vermelho.

 

Não aprendemos a ser campeões por acaso. Isso já estava em nosso DNA. E justamente por isso que, particularmente senti tanto o ano de 2016. Afinal, os anos precedentes já anunciavam que algo não ia bem.

 

Faço questão de registrar aqui (com a ajuda do meu anjo Ariel) alguns pontos que ficam. Os conscientes entenderão como lições aprendidas que deverão ser sempre lembradas para não serem repetidas. Os sem noção podem entender como cornetagem… não ligo.

 

Dá para esquecer?

 

– Sufoco para classificar na Pré-Libertadores contra o Cesar Vallejo do Peru. Empate no Peru (1×1), vitória no Pacaembu (1×0).

 

– Derrota para o The Strongest na estreia da Libertadores (Strongest não ganhava um jogo como visitante desde 1982 ou 34 anos, e o SPFC nunca tinha perdido para um time boliviano em casa!)

 

– Greve de silêncio, após a derrota devido aos salários atrasados. “Racha no grupo”. Enquanto a maioria do elenco não quis falar com a imprensa, Calleri, Lugano, Denis e Kardec resolveram falar com a imprensa.

 

KardecII

 

– Campanha oscilante na primeira fase da Libertadores (classificação no último jogo da primeira fase), e no Paulista, culminando na eliminação humilhante para o Audax nas quartas de final, derrota por 4×1.

 

– As circunstâncias da saída de Luiz Cunha da Diretoria de Futebol.

 

– Contratação do Getterson. Jogador veio de time da Série D, teve Twitter descoberto pela torcida, aonde xingava o SPFC e por pressão da torcida nas redes sociais, jogador teve o contrato rescindido no mesmo dia em que foi anunciado como reforço. Que vergonha!

Cueva Getterson

 

Kieza. Chegou e foi embora em menos de 4 meses. O vexame não foi pelo tempo curto e nem financeiro, mas pela lambança desnecessária.

 

– Selvageria da torcida pós eliminação na semifinal da Libertadores. (Confronto com a polícia e ataques da torcida contra a própria torcida, inclusive com relatos de abuso contra mulheres aos arredores do estádio.)

 

– Campanha irregular no Campeonato Brasileiro até os jogos da semifinal da Libertadores, com derrotas e resultados ruins em jogos dentro de casa. Sport nunca tinha ganho um ponto contra o SPFC aqui. Empatou no Morumbi. Atlético-PR nunca havia ganho do SPFC no Morumbi e dessa vez, venceu.

 

– Acordo com a diretoria do Santos pelo Clássico da Paz, aonde os 2 jogos seriam disputados no Pacaembu. No jogo do primeiro turno os dois times dividiram o mesmo ônibus para ir ao estádio. (SPFC perdeu os 2 jogos!)

 

– Invasão da torcida organizada ao CT e agressão a alguns jogadores do elenco (Michel, Wesley e Carlinhos).

 

Wesley Manifestação

 

– Anúncio da demissão de GVO durante o clássico contra o Palmeiras. Demissão repercutida pelos repórteres de campo durante o primeiro tempo do jogo.

 

– Vendas e não reposição à altura da saída dos jogadores após a eliminação da Libertadores. Demora e mais lambanças para fechar as negociações. Inclusive na troca de técnico.

 

– Mais uma eliminação para time de divisão inferior. Time foi eliminado da Copa do Brasil pelo Juventude, time da série C!

 

– Ameaça real de rebaixamento. Time ficou a 1 ponto do Z4.

 

Sem contar outros tantos absurdos que não soubemos, mas que imaginamos que existem e existiram.

 

Foi tudo errado em 2016? Obviamente que não. Reviver uma reta de chegada em Libertadores, no frio de um Morumbi lotado foi mágico. Ver Calleri, em campo, embora por pouco tempo, rendeu música. Conquistamos patrocínios. Clamamos pela base no profissional, demorou, mas vimos os garotos brilharem. Os gringos vestiram a nossa camisa com respeito e nos rendemos a eles. Rodrigo Caio nos encheu de orgulho sendo campeão olímpico. Goleamos em clássico, dentro de casa, para lavar a alma. Temos um novo Estatuto, não tão perfeito, mas é um primeiro passo. A nossa base é super campeã. E o M1TO é nosso novo técnico.

cueva-2

 

É hora de olhar para a frente? Sim. Sem perder de vista tudo o que não se quer viver novamente no próximo ano e se empenhar em continuar dando passos rumo à retomada. Não será fácil, exigirá tempo e ainda mais paciência. Terá obstáculos. E daí?

 

Apesar de tudo, confio na força daqueles que querem o bem, assim como estou convicta (sempre estive!) que profissionalizar é imperativo nas condições de gestão que o clube se encontra, caso queira continuar existindo. Mais do que um caso de necessidade, profissionalizar significa sustentabilidade.

 

Especialmente, lembrando que o São Paulo é maior que qualquer ego. Essa instituição jamais deveria estar reduzida a CPFs.

 

Desculpem o transtorno, mas eu precisava falar do São Paulo…

 

Porque, o São Paulo é meu, é seu. É nosso! Que venha 2017!

 

Fica o agradecimento a todos, o meu desejo de um Natal iluminado e que o próximo ano seja repleto de vitórias.

 

Beijão e até!

Pri

 

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