DESTINO FINAL: PORTUGAL (EURO 2016)

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FutebolInter

 

Olá amores, tudo bem com vocês?

 

No último domingo chegamos ao final da nossa viagem. Estar pela França ao lado de vocês foi uma delícia. Já estou com saudades! Passamos pelos vinhos de Bordeaux, por Lille e Lens já perto da Bélgica, por Lyon, terra natal dos irmãos Lumiére, pelos estádios da década de 30 em Saint-Étienne e Toulouse e também pelas minhas favoritas, Marselha e Nice, na deslumbrante Côte D’Azur.

Assim como eternizou em sua obra póstuma, Ernest Hemingway já havia dito, à Paris foi reservada a festa.

Em meu texto pré-Euro sinalizei sobre a seleção da França com o coração espanhol cheio de esperança, na torcida para estar errada. Já sobre Portugal, confesso, sim, que em momento nenhum cogitei que poderia chegar. O tempo passou, a bola rolou, nos emocionamos com gestos de torcedores, nos embalamos com cânticos de torcidas, nos encantamos com novas histórias. Eis que tivemos o ato final.

Ainda que sem fronteiras, se pode afirmar que França e Portugal fizeram um legítimo duelo de inimigos íntimos. Os dois times se enfrentaram 24 vezes em quase um século. O primeiro confronto aconteceu em 1926 em Toulouse. No pós guerra, a freguesia lusitana começou a ganhar proporção que ganhou personagens emblemáticos nos idos do final dos anos 90 com Zidane, Henry, Figo e Rui Costa.

Na Copa de 2006, o time confiante de Felipão foi eliminado por Lilian Thuram, defensor épico que frustrou Deco, CR7 e Figo a alcançarem um feito extraordinário.

Dez anos se passaram e desta vez, não houve o que segurasse.

Em minha opinião, a seleção francesa foi a melhor do campeonato nos rendendo boas exibições, com ótimos jogadores que deixaram de ser duvidosos. É uma geração que sedimentou o respeito e vai buscar o crescimento na tentativa de novas conquistas.

Griezmann foi eleito o melhor da Euro. Justo. Eis o exemplo de uma promessa que se tornou realidade. O goleiro Lloris se mostra um excelente líder, Payet dispensa comentários e Umtiti, o novo zagueiro do meu Barça, foi uma grata surpresa. Pogba e Giroud ficaram devendo. Mas, para mim, a grande dúvida do time nem está em campo e sim, no banco de reservas. Pois, não sei se Deschamps é o técnico correto para a sequência do trabalho diante de algumas posturas demonstradas ao longo do campeonato. Teimoso, sem ousadia, com pouquíssima criatividade e polêmico. Há de se reconhecer que convocou mal. Enfim, faltou mentalidade de campeão, a qual sobrou no time de Portugal.

A taça não está em mãos francesas por questões de detalhes, os quais deverão ser aprimorados se o desejo é o de ir longe.

Quem pensa que a principal virtude do time de Portugal é ter Cristiano Ronaldo, desculpe, ledo engano. A mentalidade que eu me referi acima é o que move essa seleção que, evidentemente é comandada por um dos melhores do mundo, sem dúvida.

O duelo contra a anfitriã, no Stade de France era uma parada das mais indigestas. E nós, brasileiros, sabemos.

Portugal vinha de um repertório recente dramático em sua campanha que ganhou um tom de suspense, ao passo em que Cristiano Ronaldo deixou o campo machucado por uma entrada dura de Payet nos minutos iniciais. A saída de seu ídolo maior partiu 11 milhões de corações embalados pela agonia de um fado. E se fado quer dizer destino, esse já estava selado.

CR7 deixou a partida dando lugar ao colega de Sporting e contestado, Ricardo Quaresma. A partir daí, o jogo ganhou uma outra pegada. Portugal tirou os espaços, se fechando e isolando a bola como podia, apesar da ameaça francesa.

No segundo tempo, a posse de bola foi da França e mesmo sem criatividade fez Rui Patrício, o goleiro e lindo, trabalhar muito. Foram sete defesas e sorte, com uma bola na trave aos 46 que poderia ter mudado o rumo da final. Mas, havia o destino…

A verdade é que, depois de um jogo pouco emocionante, o melhor realmente estava por vir. E veio. A prorrogação valeu pelos 90 minutos.

Fernando Santos, diferente de Deschamps, ousou no tempo normal colocando Éder, até então, um camisa 9 sem o brilho de tal. E Éder cumprindo à risca a sua função, chutou.

Um chute de fora da área. Preciso. No canto de Lloris, que não alcançou. 11 milhões de corações estavam ali, pulsando no gramado do estádio francês, sob o silêncio ensurdecedor e atônito de uma torcida que esperava repetir a dose de um grande título em casa. Não deu.

Se o destino conduz o que consente e arrasta o que resiste, Portugal, com o deus Cristiano, os gigantes Pepe, Rui Patrício e Renato e o iluminado Éder, foram conduzidos à fazer história no futebol.

Já sabemos que futebol não é só um jogo, poderia ser audaciosa e citar qualquer um dos adoráveis poetas portugueses, mas certamente as imagens falam por si só.

Definitivamente, não é só um jogo.

https://youtu.be/UyPhxspZQ5Q

Um beijo e até a próxima,

Pri

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