EDITORIAL: DENTRE OS GRANDES, ÉS O PRIMEIRO?

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Olá Nação Tricolor, tudo bem com vocês?

Já estava com saudades. Assunto é o que não falta, jogos olímpicos em reta final e uma temporada europeia novinha em folha para curtirmos. Sem contar, o mais importante que é o nosso amado São Paulo Futebol Clube.

E é sobre ele que escreverei hoje, ainda sob os efeitos da derrota contra o Botafogo no último domingo. Porque, mais do que chateada, estou reflexiva.

Que o futebol é um negócio que se movimenta com cifras milionárias não é novidade para ninguém. Que os clubes europeus passaram a comandar o esporte mundialmente, muito menos. E isso se dá pela profunda profissionalização da gestão, bem como pela regulamentação de uma entidade organizada (UEFA).

A diferença para o futebol brasileiro é abissal. Qualquer comentário sobre a CBF é desnecessário, visto o desserviço da entidade. E quando falamos em profissionalização, os clubes fazem cara de paisagem, pois mais do que organização, estrutura e embasamento técnico, o comando é realizado pela única e letal política de interesses.

Eis que o nosso São Paulo, clube de vanguarda, referência de outrora tem se juntado aos comuns. Para nós, torcedores, o clube aparenta ter virado um baú, no qual são mantidas informações e situações que, em parte se tornam públicas em escândalos, com reflexos evidentes e vergonhosos em campo.

O fato que nos assola é que talento e resultados foram relegados a outros planos e nos transformamos supostamente em uma soma de irregularidades que se debruçam sobre o palanque político do benefício próprio. O nosso futebol, inovador e brilhante no passado, tem um presente sombrio dentro das quatro linhas. Os responsáveis apontados são sempre os mesmos, técnicos, jogadores e árbitros, levantando a bandeira dos efeitos, varrendo as causas para debaixo do tapete.

O técnico é trocado repetidas vezes, mas a falta de gestão se mantem, engessando o clube. Vejam que o cunho aqui é absolutamente sobre o futebol. Portanto, essa é apenas a percepção de uma mera torcedora apaixonada, mas que tem em seu currículo carimbos em mais de um passaporte, com alguma formação para se arriscar a discorrer sobre isso.

Outra argumentação equivocada é quando sustentam que o clube não contrata a contento, porque tem uma situação financeira difícil. E qual clube está bem, de forma transparente? O índice de endividamento de todos é alarmante. Se fossem empresas, já estariam em recuperação judicial. O PROFUT veio para regulamentar o setor, surge como um avanço, mas com dilemas a serem superados, como por exemplo, o prazo de 20 anos para a quitação das dívidas dos clubes com o Fisco.

Uma reflexão dentre tantas que pairam ao torcedor: Empregam milhões em um zagueiro (Maicon) e buscam “Gettersons“…

Isso não se explica tão somente pela dificuldade financeira do clube.

Se houvesse método, as contratações se dariam de forma estruturada, cumprindo um cronograma, identificando o que se tem de recursos financeiros disponíveis x análise mercadológica, etc., etc. O São Paulo, de um clube que era procurado por atletas e técnicos ávidos em integrar o plantel, hoje nos passa a impressão que figura como um rejeitado que busca refugos, driblando prazos, acertando sem querer, em golpes de sorte confusos, caros e novelescos.

Não temos uma filosofia tático-técnica, não enxergamos a política de transição das categorias de base ao futebol profissional, não conseguimos formar um time visando continuidade. E por isso, os resultados não acontecem. É um conceito simplista, mas realista. E por que não conseguimos? Porque, não temos uma gestão especializada em futebol.

E a questão primordial que cerca uma estrutura profissional de futebol é que haja um planejamento estratégico, com uma política organizacional bem definida que contenha uma linha de atuação macro, à luz da missão do clube e objetivos que sejam mensuráveis, realistas, temporais e acima de tudo, acordados e assumidos por todos os níveis hierárquicos.

Essa estrutura, se profissional, integra todos os pilares de atuação do futebol do clube aos demais segmentos como comunicação e marketing e principalmente às áreas de negócios.

Ah, mas no passado também não tínhamos e conseguimos resultados. O cenário do futebol era outro. E a competência das pessoas que estavam à frente mostra que também.

Parece oportunismo escrever sobre isso após uma derrota? Não. Mesmo porque, nos últimos anos, essa foi apenas mais uma derrota para nós mesmos. E se tivesse ganho, essas questões continuariam como pano de fundo, pois perduram há anos.

Nos próximos meses será elaborada a proposta de reforma do estatuto. Uma comissão (um tanto desequilibrada entre situação e oposição, pelo que indica) foi formada e será responsável por apresentar uma documentação que assegure ao clube conceitos de modernidade, transparência, proteção jurídica e que reflita o desejo de conselheiros e sócios são paulinos de bem. Este pode ser um passo importante, pode…

Houve a tentativa judicial de anulação da votação da assembleia que definiu a reforma do estatuto, a mesma que legitimou atos da diretoria contestados nos tribunais.

O processo original tem por objeto questionar as mudanças realizadas em 2004 e está no STF. No entendimento da diretoria, a última assembleia sanava a questão. Ocorre que em novo processo, um sócio sustentou que a convocação da assembleia desrespeitou o estatuto vigente e que uma nova deveria ser realizada visando assegurar que os sócios votem separadamente nos assuntos – reforma do estatuto e ratificação dos atos administrativos. Contudo, o pedido foi considerado improcedente.

Definitivamente, política e futebol só se conversam minimamente organizados visando resultados e sustentabilidade, se for sob a égide profissional, com o ferramental adequado e recursos aptos. E como se dá isso é tema para outro texto.

Vejam só, eu ganhei a camisa amarela, usei e guardei, pois soube que até isso foi envolvido em política. Sem juízo de valor, porque, nós torcedores não estamos do lado A ou B, nós sempre seremos São Paulo. E o fato é que, independente de situação ou oposição, não há como relativizar o que é certo ou errado, o que é legal ou ilegal. Ou é ou não é.

Em tempos de redes sociais e altíssima tecnologia, não cabe mais subestimar.

Está tudo perdido e não tem mais jeito? Não. É culpa de todos os que estão aí hoje? Também não. Contudo, cada um tem o dever de fazer bem a sua parte.

À torcida cabe devoção, coerência e doses de otimismo realista. À Diretoria, responsabilidade.

Chega um novo técnico, que tenha ou não a predileção da torcida, mas que está aí e vai dirigir o time. Cabe a ele trabalhar sério com os recursos que tem à mão e definir a equipe. Que os jogadores respeitem essa camisa e que joguem em suas posições oferecendo o seu melhor, visto que não são tão excelentes assim.

Se não vai na excelência, que seja na superação. Se houve a oportunidade de formar o caráter do time ao longo da Libertadores, ainda há tempo, na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro para que voltem a jogar futebol.

E mais do que isso, o meu desejo é que o São Paulo, um dia, volte a ser São Paulo.

Um beijo e até a próxima,

Pri

 

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Fontes: GE, Universidade do Futebol