EFEITO MITOLÓGICO


 

Todo grande clube é capaz de lotar o maior dos estádios, mas são raros os jogadores que conseguem fazer isso. O São Paulo pode se orgulhar de ter um palco gigantesco para seus jogos, o belíssimo Cícero Pompeu de Toledo, e também de contar, por mais de duas décadas, com Rogério Ceni, que por tantas vezes lotou, sozinho, as arquibancadas do Morumbi. Alguém aí se lembra do milésimo jogo do M1to? E de sua despedida dos gramados, quando reuniu os times que conquistaram nossos três mundiais?

 

 

A dedicação do Rogério enquanto goleiro fez com que os torcedores se sentissem verdadeiramente representados dentro de campo. Agora treinador, ele não mudou em nada, para nossa sorte. Obcecado por vitórias, Rogério faz o seu time jogar com raça e coragem, sem medo de levar gols, pois sempre busca balançar ainda mais as redes adversárias. A torcida, mais uma vez, lotou o Morumbi na estreia do M1to como técnico em casa, e não parou por aí. Os comentaristas esportivos que adoram exaltar a torcida do Flamengo ou os rivais Corinthians e Palmeiras com suas novas arenas que cheiram a plástico, agora têm que aplaudir o São Paulo, que possui, até o momento, a melhor média de público (29.700 torcedores por jogo) entre todos os clubes das séries A, B e C do Brasileirão. Os números prometem ficar ainda melhores nos dois próximos confrontos, contra Cruzeiro e Corinthians.

 

O início de 2016 foi péssimo para o São Paulo, mas faço questão de recordá-lo no post de hoje para mostrar o quão diferente está o comportamento do time e, consequentemente, o da torcida. Nas primeiras rodadas do Paulistão e da Libertadores do ano passado, o São Paulo mandou seus jogos no Pacaembu (por conta de reformas no gramado do Morumbi), um estádio que é muito mais acessível, pois fica próximo ao centro da cidade. A falta de vontade de alguns jogadores, que resultou em derrotas inesperadas, como as contra o São Bernardo e o The Strongest (BOL), fizeram com que os torcedores “desistissem” do time. Chegamos a jogar para menos de três mil pessoas em pleno Pacaembu! Mesmo com uma melhora considerável de desempenho, ainda sob o comando de Bauza e, posteriormente, de Ricardo Gomes, não foram raros os jogos em que o Tricolor parecia satisfeito com um empate sem gols.

 

A chegada de Rogério Ceni mudou o ânimo da torcida, que vai ao estádio para vê-lo, como sempre fez, mas, diferente de quando ele era “apenas” o goleiro e pouco podia fazer além de motivar os companheiros com gritos de incentivo, o M1to treinador transformou o comportamento dos jogadores, que agora podem ser sacados do time caso não corram em campo. A arquibancada entendeu o São Paulo versão 2017 e passou a apoiar até os atletas mais contestados, como o Lucão.


A melhor média de público tem, sem dúvida, méritos do Rogério. Que a parceria entre o M1TO e a torcida permaneça ao longo do ano e, se o time não for bom o suficiente para garantir títulos, que os gritos da arquibancada sejam!   

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