Entrevista: HIGHER

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A banda HIGHER foi uma das grandes revelações do metal nacional em 2014, quando lançou seu ótimo autointitulado  álbum de estreia (confira resenha CLICANDO AQUI). Formada por Gustavo Scaranelo (guitarra), Cezar Girardi (vocal), Andrés Zúñiga (baixo), Pedro Rezende (bateria) e Felipe Martins (guitarra), a banda pratica um heavy metal técnico que não se prende a rótulos e depois de conquistar a crítica espera agora conquistar o público. Abaixo você confere uma entrevista com o guitarrista GUSTAVO SCARANELO falando sobre a trajetória da banda e seus planos para este ano.

ENTREVISTA – GUSTAVO SCARANELO (HIGHER)

GUSTAVO SCARANELO - HIGHER

 

TOTR: O álbum de estreia da Higher tem recebido muitas críticas positivas. Vocês esperavam uma recepção tão boa?

GUSTAVO SCARANELO: Bom, nós estamos muitos felizes com a reação da crítica especializada, e das pessoas que ouviram o disco e nos deram um feedback. Isso nos surpreendeu! É claro que, quando produzimos algo, o fazemos com muito empenho e cuidado, e o resultado é sempre algo que entendemos ser de boa qualidade. Mas existe uma grande distância entre satisfazer-se com sua própria produção e satisfazer outra pessoa, alheia a ela. Tenho lido todas as resenhas e sempre há algo bastante interessante em cada uma delas. Algumas falam do trabalho de forma muito afinada com o nosso pensamento, já outras acabam trazendo uma nova visão do disco, e passo a ouvi-lo de outra forma. Não poderíamos prever tantas opiniões interessantes e, como disse, estamos muito felizes com a reação das pessoas.

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TOTR: Logo após o lançamento do álbum a banda incorporou um segundo guitarrista. Como foi esse processo?

GUSTAVO: O disco foi todo formatado para duas guitarras, não seria possível inserir todos os elementos harmônicos que pretendia com apenas uma guitarra. Portanto, eu já previa a necessidade de um segundo guitarrista para os trabalhos de palco. O processo foi natural, a chegada do Felipe nos trouxe uma série de reflexões, sobretudo por se tratar de alguém tão jovem, à beira de seus dezessete anos! Nos vimos, através dele, transportados para aquele primeiro momento, quando o projeto teve sua semente plantada, quase 20 anos atrás, ainda com o nome de Second Heaven, e isso foi muito positivo. Ele é um músico muito sério, apesar de jovem, e bastante dedicado ao projeto.

TOTR: Os músicos da Higher tem em sua formação vasta experiência, inclusive transitando por outros estilos.  Como é administrar todas essas influências na hora de compor material para um trabalho voltado ao heavy metal?

GUSTAVO: Ótima pergunta! E como toda boa pergunta, essa é mais difícil de responder (risos). Vamos lá, a linguagem do metal é muito enraizada em mim, foi o primeiro gênero com o qual eu me envolvi de corpo e alma. Depois houve um processo semelhante com o jazz e a música brasileira. Num primeiro momento não era muito possível ter essas diversas influências convivendo, mas depois as coisas assentaram e consegui encontrar um lugar para cada uma delas. Agora, quando componho para o Higher não penso em outro gênero que não seja o metal, não tenho interesse num trabalho que mescle esses gêneros propositalmente, como uma colagem, acredito que essas outras influências invadam o processo de forma natural, e acho que aí está o elemento principal, é uma resultante involuntária de tantos anos de estudo sério em diversos gêneros, e não algo arquitetado.

TOTR: Uma das virtudes desse primeiro álbum está em sua originalidade, sendo até mesmo difícil classificá-lo nos tradicionais subgêneros do metal. Vocês compartilham dessa percepção? Que fatores vocês acham que contribuíram para esse resultado?

GUSTAVO: Fico muito feliz em ouvir isso! Para responder-lhes vou convidá-los para uma reflexão. Imagine um garoto que passava oito horas por dia, durante anos, no seu quarto estudando guitarra, exclusivamente metal. Algum tempo depois ele começa a se interessar por jazz, música brasileira, violão erudito e popular, e fica por mais de dez anos imerso nesses gêneros, praticando e atuando profissionalmente na área. Após tudo isso, subitamente ele resolve gravar um disco de metal (risos). Acho que não conseguiria pensar em outra resposta que não fosse contar o quão atípica foi a trajetória até esse disco. Geralmente quem toca jazz e tem atuação profissional no gênero não se aproxima muito do metal, a ponto de gravar um disco do estilo. O contrário também não é comum. Acho que a originalidade da qual falou está associada à originalidade dessa trajetória: um trajeto atípico talvez tenha gerado um resultado atípico também. E essa originalidade da qual falou não é muito percebida por mim, acredito que não seja muito possível fazer uma análise assim do seu próprio trabalho.

TOTR: Quais os planos da Higher para 2015?

GUSTAVO: Palco! Queremos tocar, estamos sedentos (risos). Claro que o início da produção do próximo disco começará em breve, assim como a de, pelo menos, mais um vídeo clipe desse trabalho de estreia. Isso tudo se dará ainda esse ano. Mas a grande meta para 2015 é tocar e estamos fechando vários shows para os próximos meses. A agenda pode ser consultada em nosso site (www.higherband.com).

Foto Higher 2015

TOTR: Muito obrigado pela entrevista. O espaço é de vocês para deixarem um recado para a galera que nos acompanha.

GUSTAVO: Eu que agradeço a oportunidade de falar sobre o projeto, agradeço as perguntas e o interesse de vocês. Agradeço também as pessoas que nos lêem agora. Para nós é uma honra! Bom, tenho martelado em algumas questões e aqui não será diferente, gostaria de chamar a atenção para duas coisas, primeiro importância de dissolvermos esses rótulos e subgêneros de metal. É claro que existem diferentes vertentes, e isso deveria fortalecer a cena, mas não é o que acontece muitas vezes. Vejo um comportamento muito mais segregador do que aglutinador na prática de definir o gênero, subgênero e subsubgênero de cada banda. Na verdade cada uma tem seu estilo, e todo trabalho autoral merece respeito e a atenção de quem se coloca como fã do gênero. Quem já produziu um disco sabe o quão trabalhoso é esse processo! E isso me leva à segunda questão. Hoje, no Brasil, vemos bandas com disco lançado abrindo shows de banda cover. Isso é terrível! É como gostar de um time de futebol mais do que do próprio futebol. Seria insano acreditar que bandas de cover poderiam sustentar o gênero! Um absurdo! Esse papel só cabe aos trabalhos autorais, que estão engrossando a discografia e levando o gênero adiante. Se você é fã de metal, valorize o trabalho autoral. Obrigado pelo espaço e parabéns pelo trabalho de vocês.

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