GOD OF NADA

 

 

O São Paulo tricampeão brasileiro era acostumado com uma zaga praticamente invencível. Após a saída do trio Miranda, Alex Silva e André Dias, além da então revelação Breno, o clube jamais teve um jogador que fosse unanimidade na defesa novamente. Na verdade, poucos agradaram a maioria, como Rafael Tolói e Rhodolfo. Sofremos com nomes como Paulo Miranda, Edson Silva, Jean Rolt, Luiz Eduardo, João Filipe… A lista é enorme! A expectativa de todos era que o Maicon, precocemente apelidado pela torcida de “Deus da Zaga”, finalmente mudasse essa incômoda realidade, mas o sonho durou pouco…

 

A contratação de Maicon, naturalmente, causou desconfiança em qualquer torcedor mais antenado com a situação do jogador em seu ex-clube, o Porto. Ele saiu de Portugal pela porta dos fundos, mas seu ótimo desempenho no primeiro semestre de 2016, em especial na Libertadores, encantou a torcida do São Paulo. A diretoria não pensou muito para desembolsar pouco mais de 20 milhões de reais, uma quantia altíssima para um defensor, e comprar definitivamente o passe do atleta antes mesmo do fim da campanha tricolor na principal competição continental. A partir daí nem tudo deu certo…

O desempenho de Maicon passou de espetacular para “apenas bom” no segundo semestre do ano passado, mas ele ficou marcado por uma expulsão estúpida no jogo de ida das semifinais da Libertadores, diante do Atlético Nacional, da Colômbia. O jogo ainda estava empatado quando o zagueiro levou um cartão vermelho por agredir um jogador da equipe colombiana (tá certo que o adversário valorizou muito). A partida terminou em derrota e praticamente decretou o fim das chances de buscar o tetra continental. Antes o Maicon fosse só um louco que perdesse a cabeça de vez em quando…

A versão 2017 do Deus da Zaga é ainda pior. Os erros são frequentes e, como se isso já não fosse o suficiente, acontecem por pura displicência do jogador. Errar por ruindade a torcida até entende, afinal não é culpa do jogador e sim uma limitação difícil de ser corrigida. Vacilar por falta de atenção ou por tentar uma jogada arriscada na defesa é que mata qualquer um de raiva. Foi isso que o Maicon fez diante do Jô no último clássico contra o Corinthians e em muitas outras ocasiões na atual temporada.

Que o endeusamento precoce do Maicon sirva de lição para a torcida. Sei que o São Paulo anda carente de ídolos recentes, mas antes de dar um status importante a qualquer jogador, ele precisa merecer e isso, definitivamente, não se faz em pouco tempo e, principalmente, sem títulos. Para um atleta ser idolatrado sem ter sido campeão, ele deve fazer muito mais do que o Maicon fez logo que chegou ao clube. Me desculpem, mas o Maicon não é Deus da zaga e nem de nada e, se continuar como está, nunca vai ser.

ST