O resultado que todo tricolor já conhece

Blog Tricolor



O SPFC caiu durante a semana diante do Penapolense no Morumbi. 0x0 durante o jogo. Disputa de penalties. Tricolor eliminado do Campeonato Paulista.

Já vimos este filme antes? Já…E como já! Fomos eliminados pela Ponte Preta na Sul-Americana ano passado. Perdemos inúmeros clássicos contra Santos e Corinthians em semi-finais de Paulistas… A conclusão óbvia que chego após analisar isso tudo é: este elenco do SPFC não sabe jogar mata-mata.

Já falei sobre isso antes aqui. Há uma diferença abissal entre disputar um jogo de mata-mata e um jogo em um campeonato de pontos corridos. Jogos mata-mata tem toda uma aura envolvida, no qual retrospecto nem sempre vale, momento também não. É a chance que times ‘teoricamente’ mais fracos eliminarem times grandes em suas próprias casas. Jogo mata-mata (como o próprio nome diz) não permite erros. Não permite jogadas toscas, nem chances de gol chutadas na arquibancadas. Acho este elenco do SPFC (e aí incluo o time todo titular e mais o banco) franquíssimo para mata-mata. Vamos a uma análise crítica:

1) Rogério Ceni: é o mais experiente da equipe e deve estar de saco cheio de ver o time sendo eliminado campeonato após campeonato. Ainda defende muito, não há dúvida, mas acho engraçado como acham que ELE é que tem que resolver. Ué, ele não é o goleiro? Como vai resolver?? Isso não é responsabilidade do meio-campo/ataque? Rogério já marcou inúmeros gols pelo time, mas faz tempo que uma cobrança de falta sua sequer raspa a trave. Está mais do que na hora dele deixar esta responsabilidade pra outro (ou outro ter a personalidade suficiente de começar a treinar e ser bom nisso)… Faltas próximas à grande área são enormes chances de gol. E o SPFC vem desperdiçando isso.

2) Zaga: é o pior setor da equipe. Frágil, patético. Não, Rodrigo Caio não é zagueiro. Mal tem corpo pra ser volante, quanto mais beque. Não dá. E aí quando ele está na zaga, jogamos só com outros dois zagueiros, que também são bem fraquinhos. Erros grotescos de posicionamento de Antonio Carlos e cia já nos causaram inúmeros gols. “Ah, mas o Antônio Carlos marca gols”. Mais uma vez, o argumento está errado. A função do zagueiro é cuidar da zaga. Isso tem que ser primoroso. Não dá pra tentar disfarçar uma zaga ruim com zagueiro que marca gols. Função de marcar gols não é o objetivo da zaga.

3) Meio-campo: aqui o bicho pega, em termos de ruindade. Wellington não marca. Simplesmente não marca. E sua função é esta. O meio-campo do SPFC está mais pra uma peneira do que para um meio-campo. “Ah, mas é porque o meio-campo do SPFC é ofensivo, por isso não marca”. Ofensivo? Ofensivo onde? Porque se fosse, não teríamos o zero no placar 0x0 contra o Penapolense. Não, o meio-campo não é ofensivo. É apenas ruim mesmo.

Mas vamos falar do ataque. Até agora, não vi pra que Ganso veio. Um jogador que custou o que ele custou tem um livro de desculpas (boa parte criada por torcedores esperançosos) de porque some em jogos decisivos. “Ah, mas ele fez o gol contra o Corinthians”. Sim. Fez. Mas contra o Penapolense sumiu. E contra vários outros times também. Não chuta de fora da área, parece com medo. É pouco. É pouquíssimo para um jogador que já apresentou o que ele apresentou no Santos. Aí, quando se fala em cobrança, parece que ele retrai mais ainda… Jogador que joga no SPFC vai ser cobrado. Jogador que ganha o que ele ganha também. Sabe aquela frase: ‘Com grandes poderes vem grandes responsabilidades’. Eu mudaria a frase no futebol para ‘Com grandes salários vem grandes responsabilidades’. É o caso de Ganso. Aceitar o pouco que ele apresenta em campo não dá.

4) Ataque: outro setor muito, mas muito problemático. Claro, se o meio-campo não produz, é óbvio que o ataque será um problema. Mas Luís Fabiano sumiu em mais um jogo decisivo. Antes que os fabianetes comecem a falar suas estatísticas ‘fabulosas’ de mil e trocentos gols, só faço uma pergunta: ‘Quantos títulos Luís Fabiano conquistou no SPFC, estando em campo no jogo decisivo?’. Resposta: NE-NHUM. Nenhumzinho. Então, números podem dizer muitas coisas. Inúmeros gols marcados sem nenhum título, pra mim, quer dizer muito mais. E logo nos primeiros minutos de jogo, ele já foi lá reclamar com o juiz o cartão amarelo de Wellington. Pelo jeito, não aprendeu muita coisa…Continua reclamando em campo… Não sou fã de Luís Fabiano, nunca fui. E mais um Campeonato que fomos eliminados e ele sumiu em campo. Teve chances de gol (poucas, concordo), mas não converteu nenhuma. Fácil é culpar o ataque. Duro é reconhecer que nosso atacante faz gols, mas em partidas decisivas (como contra o Penapolense), passa em branco.

Osvaldo é correria. E sem objetividade. O que adianta correr e perder a bola na linha de fundo? Eu não consigo enxergar qual é a utilidade disso em campo. Falta muita coisa. Falta treino. Falta entendimento do jogo.

A quantidade de passes errados é gigante. Jogadas toscas, que mal parecem de jogadores profissionais, são frequentes. Não há nenhuma jogada ensaiada. E quando há alguma ‘tentativa’ de jogada ensaiada, é pra dar risada, pra ver como falta treino. Não se chuta de fora da área, escanteios é atrasar a bola pra defesa adversária, o toque de bola não é rápido e é mal-feito. E quando a bola chega no lento centro-avante, ele cai ou perde a bola. Não dá.

5) Muricy Ramalho: salvou o time em 2013 do rebaixamento. Sem dúvida. Mas agora era uma ótima chance de mostrar que este time poderia mais. E parou no Penapolense. Na minha opinião, escala errado. Rodrigo Caio na zaga. Não aposta nos meninos (parecem as mesmas críticas de 2009…Mas são verdadeiras!). Paulista era chance de colocar muitos meninos em campo. Não colocou. Apostou nos velhos titulares. E o resultado foi o velho de sempre: eliminação. Aí vemos o Santos, que coloca uma garotada em campo, misturados com alguns titulares e é o melhor time do Campeonato. Passou feito um trator sobre a Ponte Preta. E nós paramos no Penapolense.

Tem algo muito errado na maneira de pensar o time. O time parece ‘velho’ e os resultados são sempre os mesmos. Garotos são pouco aproveitados. “Ah, mas quando colocou alguns garotos eles sumiram em campo”. Sim, e os titulares também não? Não há cobrança, nem dos titulares, nem dos garotos. A verdade é que o resultado de quarta-feira todo tricolor já conhece. A questão é: como fazer com que estes resultados ruins, tão frequentes no tricolor, parem de acontecer? Está na hora de baixar a arrogância e reconhecer as falhas gravíssimas de jogadores, técnico e direção. E mudar o time em campo, mudar a filosofia. Porque senão, na Copa do Brasil, teremos mais um resultado que já conhecemos tão bem.

Thaís C Paradella.