PARECE QUE FOI ONTEM…

 

Saudações, Nação do Morumbi!

Peço licença à você para citar o título gremista neste texto. A festa dos gaúchos me trouxe algumas reflexões, as quais desejo partilhar contigo.

Doze anos voam. “Parece que foi ontem, parece que chovia…”. Foi ontem que Rogério Ceni voou no Japão, foi ontem que Mineiro entrou pra história ao derrubar a implacável defesa inglesa com o passe inacreditável de Aloísio.

Ontem tudo parecia mais fácil. Ontem era fácil vestir o manto. O que se perdeu, afinal? Por que nos perdemos?

De lá pra cá, 3 Campeonatos Brasileiros e 1 Copa Sul Americana. É pouco. Nossa tradição internacional aos poucos se desfaz. Fica no passado. Parece que “fomos”, já não “somos”.

A esta altura você que me acompanhou até aqui neste raciocínio deve estar pensando que o São Paulo FC agora é terra arrasada. Joga tudo fora e reseta. Vamos do zero. No entanto, acalme-se. “A vida é feita de altos e baixos”, muitos já disseram.

De 2013 pra cá tivemos: um título da sul-americana, um vice campeonato brasileiro e a disputa de uma semifinal de Libertadores, além de lutar muito pra não cair em três temporadas. Baixos.

O que restou? Já não somos mais os maiores campeões nacionais e nem o brasileiro com mais títulos da Libertadores.

Pois bem, com sinceridade: sofremos mais que cachorro sem dono, nos separamos, o gigante Morumbi sentiu falta do calor dos são-paulinos e de seus corações pulsando não por resultados, não em noites de Libertadores, mas pelo São Paulo FC. É, pelo São Paulo FC. Como assim? Eu explico.

É fácil pagar duzentos reais pra ver uma semifinal. Difícil mesmo é pagar vinte pra empurrar o time pra fora do Z-4. Numa semifinal todos gostariam de estar porque é confortável, é uma desclassificação a mais ou menos e faz parte. Na situação desse ano não, amigos. O São Paulo FC estava se desfazendo diante de nossos olhos. Nossa história se encaminhava para uma mancha impossível de se apagar. E nesse momento, ao contrário de outros o que fizemos foi abraçar o time. Foi viver de São Paulo FC. Mais do que buscar três pontos a cada jogo, nós buscamos, dentro de nós mesmos, viver e exalar as três cores a fim de retomar nossos trilhos.

Fomos muito felizes. Esse sentimento puro tomou conta de alguns jogadores. Me parece que o comprometimento com o clube se fez maior. Não basta viver escapando do rebaixamento. É claro que não. Acredito que a caminhada para dias vencedores se fez mais forte. Agora os corações pulsam mais e melhor. Agora o Sacrossanto Morumbi se aqueceu. Mas ainda faltam os altos, não é? Sabemos disso. Mas juntos podemos e merecemos. Eles virão, e os dias de glória que nos aguardam serão muito mais saborosos e intensos. Alcançamos o ápice desse amor que às vezes parece não caber no peito. Vamos às taças!

Penso ser importante deixar claro que no meu discurso não pretendi, em nenhum momento, citar a diretoria direta ou indiretamente. Acredito que neste ponto da história em que a relação de amor entre clube e torcida se refez extraordinariamente, as ações da diretoria não interferem de nenhuma maneira sobre nossa “sãopaulinidade”. Minhas expectativas são construídas sobre a disposição da torcida por, a partir de agora, carregar o time nas mais diversas situações.

Avante, meu Tricolor!

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