Rolo Compressor

Canindé

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Depois de aberta a porteira, onde passa um boi, passa uma boiada. Com o título de 1943 iniciou-se o reinado do São Paulo FC no Estado. Desde que nasceu ninguém ganhou mais vezes o Paulistão, nem possui melhor aproveitamento de pontos. De sua estreia em diante, o Tricolor reinou Soberano em quatro décadas da competição, de oito possíveis.

A década de 40, em especial, foi magnífica. Cinco conquistas (1943/45/46/48/49). Não fosse pelo ano perdido de 1947, seriam seis títulos e um penta consecutivo. O esquadrão comandado por Leônidas era insuperável, a ponto de a torcida não ir ao estádio se perguntando se venceriam ou não, mas sim questionando por quanto seria a goleada.

Dentre as mais famosas, um estrondoso 9 a 1 em cima do Santos, em 1944, a maior goleada do clássico até hoje. Curiosamente, na preliminar os aspirantes massacraram o time da vila por espantosos 14 a 1. 23 gols tricolores em um só dia!

Outra vitória marcante foi o 12 a 1 no Jabaquara. A maior goleada da história do SPFC pós-1935, do Pacaembu e do Campeonato Paulista profissional. Até ai, porém, nada demais. O peculiar se encontra no fato de que o goleiro do Jabuca nessa partida era o mesmo goleiro do Santos, na goleada de um ano antes. Coitado…

Em 1945, com somente uma derrota, o Tricolor era campeão com duas rodadas de antecipação, contra o modesto Ypiranga. Já em 1946, a façanha foi épica. A arrancada começou com seis vitórias seguidas. Após impor duas derrotas ao SCCP, que brigava pelo título, a decisão seria contra outro rival, o Palmeiras. Caso empatássemos, jogo extra contra o alvinegro. Se perdêssemos, o alviverde daria o título ao clube irmão.

Bola rolando, jogo tenso e eletrizante. Aos 12′ do segundo tempo, o tricolor Luizinho atinge o goleiro. Pronto, a confusão estava armada. Quando a coisa acalmou, o árbitro expulsou dois de cada lado. Pior para o argentino e são-paulino Renganeschi, que no rebuliço levou uma forte pancada e, contundido, foi deslocado para a ponta esquerda, para fazer número (não eram permitidas substituições).

Praticamente com um a menos, o fim do jogo foi de muita superação e vontade. Aos 38′, Bauer avança pela ponta direita e cruza. A bola sobe, engana o goleiro e bate no travessão. De onde menos se esperava vem o toque que rola a bola mansamente para o fundo do gol. Renganeschi! Manquitolando, define o jogo e o título!

A temporada do SPFC foi perfeita. Até hoje, nenhuma outra campanha superou essa em aproveitamento. 84,21% dos pontos disputados (à época, 2 pontos por vitória): 30 vitórias, 4 empates, 4 derrotas. No Campeonato Paulista, 92,5% de aproveitamento e nenhuma derrota. Título invicto!

Gijo, Piolim, Renganeschi, Ruy, Bauer, Noronha, Luizinho, Sastre, Leônidas da Silva, Remo, Teixeirinha e outros grandes jogadores, fizeram do São Paulo FC o Rolo Compressor dos anos 40.

Fonte:

http://www.saopaulofc.net/spfcpedia/a-historia-do-spfc/caninde/