SE A TÁTICA FALHA, O TALENTO RESOLVE

 

A luz no fim do túnel começa a ficar mais forte. Com a despedida precoce do Profeta e o afastamento de Cueva, a torcida do SPFC ficou sem referência no quesito talento individual nesse início de temporada. Foram quatro pontos em quatro jogos, número que explica a dificuldade na área técnica que o time vinha sofrendo.

Mas o segundo tempo do jogo de ontem, principalmente nos minutos iniciais conseguimos vislumbrar um pouco do que pode evoluir esse novo elenco do Tricolor. Após o show de horrores que foi o primeiro tempo contra o Botafogo-SP, uma simples substituição alterou completamente o rumo da partida, para tristeza dos Ribeirão Pretanos.

Dorival começou o jogo com o novo barulho que enfiou em seu ouvido. Montou um 4-1-4-1 (variação do 4-3-3) com Jucilei na cobertura, Petros ajudando Nenê a armar, Brenner renegado como ponta esquerda e o “centroavante” Diego Souza observando as tentativas de chuveirinhos de Marcos Guilherme fracassarem pela direita.

Resultado: nenhum chute a gol no primeiro tempo e duas bolas na trave do time do interior em pleno Morumbi. Com a nova função de Petros como armador, Jucilei sobrecarregado não conseguiu fazer a cobertura do miolo da zaga. O lado esquerdo com Reinaldo melhorou muito e o lado direito da defesa sofreu um pouco com a atuação mediana de Eder Militão.

No intervalo, nosso técnico começa a perceber que o ataque do São Paulo se parece com alguém que coloca a chuteira esquerda no pé direito e vice-versa. Brenner foi o escolhido para sair e dar lugar à Cueva. Nosso melhor jogador entrou pelo meio, Petros retornou a “volância” e o 4-2-3-1 (com cara de 4-4-2) funcionou muito bem nos primeiros minutos e chegamos ao primeiro gol do jogo com Diego Souza.

Depois do gol, a carranca de Dorival voltou a assombrar o time. O Botafogo mexeu, se encheu de atacantes e partiu para cima do SPFC que se acuou e levou uma pressão surpreendente. Nesse momento o resultado parecia injusto. Nenê ajudou muito na marcação e foi o líder de roubadas de bola do time (5 desarmes), acertou 31 passes e errou apenas 3. Jogando ao lado de Cueva, Nenê demonstrou ter percepção criando muitas jogadas com passes longos. Saiu, mais tarde, para a entrada de Shaylon.

Em um escanteio bem batido, Bruno Alves sofreu um pênalti indiscutível. Cueva marcou seu primeiro gol do ano e foi comemorar com as mãos justapostas implorar o perdão da torcida no Morumbi que, obviamente, o perdoou. O adversário sentiu o golpe, se fechou mais e o jogo acabou sem muitas emoções posteriores ao pênalti.

Resumindo, o São Paulo continua sem um desenho tático definido. Continua vendo jogadores escalados onde não rendem. Falo especificamente de Petros (volante que virou armador), Brenner (Centroavante que virou ponta) e Diego Souza (Meia atacante que virou centroavante). Por sorte, sim, muita sorte! Não saímos em desvantagem no primeiro, graças às traves e a total falta de finalizações no primeiro tempo.

E no segundo tempo, Cueva e Nenê provaram ser indispensáveis ao time. Mais do que fazerem um excelente início de segundo tempo, os dois provaram que formam uma dupla muito promissora. Nela colocaremos nossas esperanças. O colombiano estava sendo observado por Ricardo Gareca, técnico de sua seleção. Também por isso, correu, ajudou na marcação, voltou para recompor e criou algumas boas jogadas até marcar de pênalti.

Dorival estava sendo observado, apenas, por toda a torcida. Não convenceu, aliás sim, me convenceu que não possui um estilo de jogo, que não sabe como vai integrar Trellez e Valdívia em um elenco que possui bons nomes em suas posições. Por isso, tenho minhas dúvidas que Dorival seja o gestor de pessoas que o clube vai necessitar agora. Ao ser obrigado a deixar medalhões no banco, o treinador pode encontrar resistência no elenco e ter que manejar crises que, na minha opinião, não são muito seu perfil.

O talento individual fez diferença e salvou seu pescoço da guilhotina, pois se dependêssemos da parte tática, provavelmente estaria desempregado neste momento. Não acredito que ele resista a um novo revés, assim como creio que esse seja o melhor momento para fazer tal mudança, afinal quero ser Campeão Paulista.

Boa Semana a Todos!

Menos ao Andres Sanches

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