SOBRE BÂMBIS, GAMBÁS, PORCOS E EMISSORAS MIXURUCAS

Tricolor

 

 

Apelido que pega é aquele que te incomoda. Desde nosso tempo de estudante de primeiro grau que vemos certas pessoas perderem o controle por conta de apodos. “A inocência cruel das criancinhas”’ como cantava Cazuza, sempre trouxe à tona alguma característica física que se transformava em um apelido. Hoje em dia, nos tempos de bullying, tal comportamento é combatido dentro das escolas.

Quando um órgão de comunicação resolve fazer deliberadamente “bullying” com uma torcida inteira deveria levar em consideração a reação negativa que tal ato implica. Vampeta ao criar o termo “Bambi” não imaginava o agrado que fazia com esse tipo de mídia. A partir daquele momento programas de TV com pouca expressão e de qualidade duvidosa possuíam uma forma de retaliar uma torcida inteira auferindo um rótulo pejorativo que atingia, mais do que a virilidade do torcedor, mas também criava uma maneira de tentar afastar novas gerações de torcedores do clube que mais crescia torcida no país.

Boa parte da mídia não economizou no assunto ao tentar associar torcida gay com o clube. A falta de respeito não foi com a instituição São Paulo Futebol Clube, que nunca mordeu a fisga desse segmento da mídia, mas sim com os torcedores gays de outras torcidas. Segundo o próprio IBGE, as maiores torcidas como Flamengo, Corinthians e São Paulo possuem, proporcionalmente, o maior número de torcedores homossexuais.  Que devem ser respeitados como todos os outros torcedores merecem ser.

Torcedores interagindo nas redes sociais se ofendem mutuamente utilizando os termos gambá, peppa, bambi, favelado, etc… Sabemos que isso é parte da (falta de) cultura do futebol brasileiro, das rivalidades regionais que levaram também, por exemplo, Cruzeiro e Fluminense a serem rotulados com a pecha de Maria ou Florminense. No contexto extracampo, nas arquibancadas e redes sociais o patrulhamento desse comportamento é desnecessário e uma forma abusiva de censura.

Porém no campo da comunicação pública o cenário é bem outro. Atribuir rótulos a torcidas e times não deveria ser política de uma emissora de TV. Eu posso considerar a Esporte interativo uma TV mixuruca, sem qualidade. Porém um Jornalista da Fox não vai ter a mesma coragem e por “ética” (sim, entre eles existe isso) não dirá que o Esporte Interativo é um canal mixuruca, apesar de acreditar nisso.

A qualidade do jornalismo esportivo desabou. Hoje é feito por pessoas despreparadas, sem diploma, que não sabem conjugar verbos, mas que possuem o dom da prepotência. Arrogantes que são, se escondem atrás de uma passagem mediana no futebol para propalar os mais indigestos despautérios, cacifados pelo chefe (esse sim, jornalista diplomado) atrás de clicks, polêmica e audiência. Depois de toda repercussão negativa, de chamadas do politicamente correto que tanto defendem, das pressões internas, das hashtags mal-educadas subindo nos TTs, eles lançam um pedido de desculpas mequetrefe e pensam sair ilesos do incidente.

Para quem não sabe, o Esporte Interativo faz parte do Grupo Turner Broadcasting System que controla também a CNN, Cartoon, TNT entre outras emissoras. É um grupo liberal e politicamente correto que não tolera esse tipo de conduta. Eu deixei minha opinião sobre a @Esp_Interativo no e-mail da Matriz Norte Americana: turner.info@turner.com .Certamente eles vão apreciar sua opinião também. Talvez até mudem a direção do canal aqui no Brasil.

Boa semana a todos

Menos aos Árbitros de Vídeo