TORNA-TE AQUILO QUE ÉS, SÃO PAULO – O apelo de uma torcedora!

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Olá Nação Tricolor on the Rock,

 

Na alegria ou na tristeza, a relação de paixão como torcedor sempre é rememorada.

E o momento do nosso Tricolor me recorda um texto que li do publicitário Fernando Vasconcellos, no site Papo de Homem. Abaixo, darei um pouco do meu tom na narrativa.

Com toda a licença poética…vou contar a saga de um relacionamento.

Clara é daquelas garotas que sorri para tudo e todos, tem um emprego bacana, é deliciosamente simpática, sagaz e tem uma família boa. Ela tem algumas qualidades de uma mulher dos sonhos, mas não está solteira. Namora o Flávio.

Flávio, por sua vez, é daqueles caras blasés. Para ele, só há conversa com quem lhe convém. Ainda assim, atrai o interesse de uma infinidade de pessoas. Ele sabe se fazer apaixonar… e como sabe. O poder do carisma dele é imenso. Tem montes de fãs e seguidores, muitos, bem da verdade, conquistados no passado, pois em algum momento, ele já foi um sujeito diferente, que inclusive ganhou muitas premiações pelo trabalho realizado.

Em contrapartida, também vive em um emaranhado de politicagem e de relações dúbias. O que, certas vezes, gera escândalos com exposição na mídia. No final das contas, ele deixou de ser transparente há tempos, e não trabalha mais tão bem como antes, pecando em requisitos básicos da sua função como falta de planejamento, o que o leva a não atingir resultados.

Flávio trabalha quase todo o final de semana, ganha milhões de reais e sabe-se lá como emprega essa grana, pois está sempre endividado. Dos milhares que ganha, gasta o mínimo com Clara. Aliás, muito pelo contrário, ela é quem gasta demais com ele.

Ele mora em uma mansão própria, linda, admirável em toda a sua estrutura. Clara não mora tão perto, mas se organiza para eventualmente estar com Flávio, às quartas ou quintas-feiras.

Clara é louca por Flávio. Torce por ele, o acompanha em viagens, quando pode, compra roupas para agradá-lo, canta músicas para ele, o defende de comentários maldosos, luta até o fim por ele, com todas as armas que tem.

E Flávio, em sua passividade egoísta, não reconhece.

Porém, Clara, passa por cima de tudo. Continua e continuará amando Flávio, sem precedentes.

Você, leitor, se identificou com os personagens? Pois, creio que dispensam apresentações, certo?

A diferença é que em um relacionamento entre Claras e Flávios reais, há a opção de se abrir mão desse sentimento insalubre e seguir a vida, em busca da reciprocidade em uma relação que se preze.

E a nossa relação com o São Paulo?

Muitos gastam o dinheiro que não têm comprando uniformes oficiais caríssimos, ingressos, transportes. Levam horas, seja nas ruas para ir e voltar do estádio, de viagens, seja em casa, assistindo aos jogos. Enfrentam filas, tumultos, “torcedores” marginais, trânsito, condições climáticas.

O clube, por menos que fature, ainda assim ganha uma bolada. Vemos algum centavo? Em espécie, não deveríamos ver mesmo. Mas, de vez em nunca fazem promoções de ingressos ilusórias, para depois cobrarem o olho da cara por uma nova terceira camisa que já vem com aparentes marcas de dedos políticos, buscam contratações de jogadores que torcem declaradamente para rivais, cedem espaço para programas esportivos de quinta categoria nos humilhar sob as nossas barbas e assim vai.

A vitória em campo, quando vem, é de quem? É do time, por mais que a gente comemore como nossa. E enquanto comemoramos, nesse exato momento, lá dentro do clube, há supostos rivais em posições diretivas, torcendo contra, afinal ganhar fere o estatuto do benefício próprio.

Já na derrota, por exemplo, nós nos lamentamos em redes sociais, por muitas vezes, nos digladiando entre nós mesmos em disputas sem sentido, de quem sabe mais ou fala melhor. E enquanto isso, a gestão do clube, comissão técnica e jogadores também estão chateados e trabalharão forte para que se recuperem na próxima partida ou pensem como planejar melhor para que os resultados venham na temporada seguinte. É assim? Talvez, não.

Eu sei que tudo isso é do jogo. Eu sei que seja como for, vamos continuar torcendo, apoiando, se indignando, vibrando. Eu também sei que muitos nos apontam como arrogantes que teimam em não aceitar a nova realidade do clube que foi estabelecida nos últimos anos.

Hoje, as nossas glórias são do passado e quando me refiro em superlativos, não é por soberba, mas, pelo notório fato de que fomos grandiosos e que um outro clube levará tempo para atingir esse patamar, se atingir.

Dimensão se leva anos para ser construída. A derrocada moral se dá em segundos. E se antes comemoramos títulos, hoje lamentamos vergonhas, na mesma proporção.

Nós, torcedores, enquanto existirmos, olharemos pelo São Paulo até o fim. Contudo, quem olhará por nós?

Há quem diga que o futebol não é coisa séria. Talvez não seja para muitos, mas para nós, torcedores, é sério.

Mais do que nunca, torço por um resultado positivo, só que também reconheço que venha o resultado que vier na noite de hoje em mais um clássico, em nada altera o pano de fundo atual.

Compromisso com a sustentabilidade são palavras de ordem. Justamente, para que não deixemos que o clube caminhe a passos largos para, em algum momento, se juntar à Portuguesa.

Mas sim, para tornar a ser aquilo que é.

Um beijo e até a próxima,

Pri

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Fontes: Site Papo de Homem e acervo de Nietzsche.